sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Spaccio

O amor é um espaço demasiado importante
para preenchermos
com pessoas vazias.

PedRodrigues

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Dissertações, desinteressantes, numa tarde de praia

Na praia, pouco depois de ler, costumo deitar a cabeça sobre o livro. Não sei o que tento alcançar com isso. Talvez acredite poder absorver a beleza das palavras por osmose, ou algo que me valha. Por hábito cubro o rosto com o braço, tentando anular os efeitos da luz nos meus olhos. Gosto de os reservar para a beleza dos dias aqui, na minha casa de água salgada. 
Por vezes, ao ouvir as histórias de quem me rodeia no areal, dou por mim a pensar em assuntos aleatórios, - como agora - sem razão aparente para serem por mim pensados, por não fazerem parte do meu quotidiano, nem dos assuntos dos livros que leio e nos quais repouso a cabeça. Reparo, entrando nessas histórias que não me pertencem, na futilidade em que vivemos imersos. No compêndio de chorrilhos e lugares comuns usados todos os dias, como: o que me interessa na pessoa é a essência. E continuo perplexo a ouvir: mas gosto de um sorriso bonito, e se tiver olhos claros e um corpo de ginásio, melhor. Pasmo-me com a facilidade em tornar a essência numa característica física. A capacidade em transformar o apelativo aos olhos numa incisão na carne em busca da beleza interior. Dizem as mesmas pessoas acabar por cair sempre no mesmo erro: gostar de pessoas que lhes fazem mal. Talvez o interior seja um atributo não trabalhável num ginásio; talvez o carácter,   ao contrário dos olhos, não se possa mascarar com lentes de contacto. Não sou de destruir as opiniões de terceiros (já me basta a forma como mino as minhas, e me condeno por, algumas vezes, pensar como penso. Pensar é um verbo que muitas vezes conduz à depressão.), a liberdade é um direito de todos. - Embora muita gente a apregoe, atirando, no entanto, sobre quem tem opinião diferente. Mas continuo a crer, enquanto tento alhear-me da conversa, que a falha está em repetir o mesmo erro vezes sem conta. E o erro está em tentarmos enganar-nos, acreditando não sucumbirmos à nossa natureza enquanto seres fúteis.



PedRodrigues

sábado, 29 de julho de 2017

Elogio à individualidade

Deixei há algum tempo de seguir os caminhos que outros me apontam. Talvez porque cada mão aponte um caminho diferente - e eu só posso seguir um, de cada vez. Sempre me disseram que é impossível agradar a gregos e troianos: o que sempre tomei como uma verdade fundamental. Se escolho seguir pela direita, dizem-me ser maluco por não ter optado pela esquerda; se é a esquerda que escolho, criticam-me por não ter escolhido a direita; se avanço, devia ter ficado parado; se fico parado, devia ter avançado. Haverá sempre vozes de contestação, qualquer que seja a escolha. E portanto deixei de me preocupar com as opiniões de terceiros, com as vuvuzelas alheias que só servem para diminuir a minha voz. Sou dono das minhas escolhas. Se cair, terei de aprender a levantar-me; se chegar a um beco sem saída, terei de aprender a trepar. A vida será sempre um corredor com várias portas. Cabe a mim - só a mim - escolher a próxima a abrir. Mesmo que as críticas acabem por chegar. Chegarão sempre. Há tantas opiniões quanto cabeças e, portanto, será impossível agradar a todas. No entanto, ninguém cai com as minhas pernas; ninguém sorri com a minha boca. Neste mundo de dedos incriminatórios e vozes derrotistas, sigo o meu caminho assobiando, ouvindo e seguindo a voz que trago por dentro.


PedRodrigues